Indica

Adenomiose: a doença que aparece silenciosamente no útero é mais comum do que se imagina

A adenomiose é uma doença frequente, mas, infelizmente, pouco diagnosticada. É caracterizada por uma invasão de endométrio (tecido que reveste internamente o útero) na musculatura do útero (miométrio).

Há cerca de 2 meses, em um exame de ultrassom transvaginal de rotina, descobri que tenho adenomiose

Ainda que benigna e muitas vezes assintomática, a adenomiose é uma doença com um grande impacto na qualidade de vida e responsável por cólicas menstruais intensas, sangramentos vaginais irregulares e algumas vezes abundantes, podendo causar desconforto e inchaço abdominal. No meu caso, apenas surgiram algumas dores no baixo ventre, exatamente como cólicas menstruais, mas fora do período de sangramento.

A doença é mais comum na faixa etária dos 40-50 anos, mas pode aparecer em qualquer idade, pois pode ser associada a antecedentes de cirurgia uterina e fatores que aumentam os níveis de estrogênio.

 

Aparência de um útero com adenomiose com tecido dentro do músculoAparência de um útero normal

A adenomiose é considerado um tipo de endometriose. A endometriose é o crescimento de tecido do endométrio fora do útero. O que acontece na adenomiose é o crescimento deste tecido especificamente dentro do músculo do útero, como na foto ilustrativa.

Além disso, existem vários tipos de adenomiose. Ela pode estar localizada numa determinada região do útero ou espalhada por toda a parede dele, deixando-o mais pesado e volumoso.

Se houver presença de tecido endometrial de forma difusa pelo miométrio, o útero pode aumentar de tamanho, chegando a ter o volume semelhante ao de uma gravidez de 11 ou 12 semanas. Dor e uma pequena distensão da região inferior do abdômen são sintomas possíveis. Quando a adenomiose é localizada, o tecido endometrial pode formar nódulos, tornando-se parecido com um mioma.

Causas

As causas da adenomiose ainda são desconhecidas. Algumas teorias sugerem que a doença tenha origem congênita, como se fosse uma má-formação do útero na fase embrionária. Há também uma corrente que acredita que a adenomiose possa ser uma doença adquirida durante a vida, provocada por lesões no útero, como, por exemplo, uma incisão cirúrgica da cesariana ou um aborto.

Sabe-se que há influência dos hormônios femininos na formação da adenomiose. O maior tempo de exposição aos hormônios femininos explica o porquê da maior ocorrência desta doença em mulheres ao redor dos 40 anos. Pelo mesmo motivo, os sintomas da adenomiose costumam piorar com o passar dos anos, mas depois melhoram na menopausa. Outros fatores parecem colaborar com o aparecimento da adenomiose: primeira menstruação (menarca) precoce, ciclos menstruais curtos e ter tido mais de uma gravidez durante a vida.

Estima-se que até 20% das mulheres tenham adenomiose. Porém, a verdadeira incidência pode ser bem mais alta, uma vez que muitas mulheres não têm sintoma algum.

E a gravidez?

Os sintomas de adenomiose aparecem, geralmente, após a gravidez. Acontece devido ao estiramento do útero e, por isso, a maioria das mulheres consegue engravidar e ter filhos antes do aparecimento da doença. Mas meu médico, o dr. Mauro Grynszpan, me tranquilizou bastante. Disse que é perfeitamente normal engravidar com adenomiose e seguir a gravidez até o final.

Sintomas

Cerca de 1/3 das mulheres com adenomiose não apresenta sintoma algum.

Nos 2/3 que os desenvolvem, os principais são grande fluxo menstrual e cólicas intensas. Dor durante o ato sexual e sangramentos fora do período menstrual são outros sintomas comuns. E dor no baixo entre entre os períodos menstruais.

Diagnóstico

Além dos sintomas, é geralmente feito através do ultrassom transvaginal ou da realização de uma ressonância magnética.

Tratamento

O tratamento varia de acordo com os sintomas e deve ser orientado por um ginecologista. Na década de 1990, segundo o dr. Mauro Grynszpan, a solução era mesmo a histerectomia total, ou seja, retirada do útero. Hoje em dia, a histerectomia total  apenas é feita se a paciente quiser. Ou, claro, em casos extremos de outras complicações. Veja as possibilidades de tratamento:

  • Tratamento com anti-inflamatórios, como Cetoprofeno ou Ibuprofeno, para o alivio da dor e inflamação;
  • Tratamento com remédios hormonais, como pílula anticoncepcional com progesterona, Danazol, adesivo anticoncepcional, anel vaginal ou SIU. Vale lembrar que SIU é o “DIU Mirena”. É atualmente o melho tratamento para adenomiose e com menor efeito colateral, quase zero. Além de ser o método mais seguro para prevenir a gravidez.
  • Cirurgia de retirada do excesso de tecido endometrial dentro do útero, em casos onde a adenomiose esta localizada numa determinada região e não se encontra muito penetrada dentro do músculo;

A cirurgia para retirada do útero elimina completamente os sintomas da doença, porém, apenas é feita em casos mais graves, quando a mulher já não pretende engravidar e quando a adenomiose provoca dor constante e sangramentos abundantes.

Eu faço o tratamento com anti inflamatório quando sinto alguma dor. Mas as dores são bem raras. Como eu uso o DIU de cobre como método contraceptivo, optei pelo DIU Mirena quando chegar a época de trocá-lo. E o mais importante: meu amado médico super me tranquilizou. Adenomiose é benigna, não precisa de cirurgia e super fácil de ser controlada.

 

Fonte: dr. Mauro Grynszpan. Ginecologia e Obstetrícia

Fonte de pesquisa:

 

www.mdsaude.com › Ginecologia e Obstetrícia

https://www.tuasaude.com/adenomiose/
www.ipgo.com.br/adenomiose/

Junte-se à discussão

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *